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2016/20/07
Risco País e Estudos Económicos

Comunicado do BC agrada economistas, mas joga incertezas sobre momento de corte da Selic.

O mercado financeiro está dividido sobre o momento em que o Banco Central (BC) vai dar início ao primeiro corte da Selic, com base nas pistas dadas pelo comunicado da decisão desta quarta-feira (20). Ainda que as mudanças no texto tenham sido bem recebidas pelos economistas, a leitura ainda é difusa. Há desde os que advogam pela redução dos juros em agosto até os que acham que a instituição somente vai flexibilizar a política monetária em 2017.

Sem surpresas na decisão de manter a Selic em 14,25%, a primeira reunião do Copom presidida por Ilan Goldfajn trouxe novidades na forma e no conteúdo do comunicado. Além de um texto mais longo, a instituição detalhou os balanços de risco para a inflação tanto do ponto de vista de pressão quanto do alívio.

"Achei muito interessante. É uma mudança muito bem-vinda, deixando para a ata apenas os detalhes", comentou o economista-chefe do Banco Santander, Maurício Molan.

"É um texto mais parecido com o estilo de comunicado do Fed, trazendo mais informações", complementou a economista-chefe da Rosenberg Associados, Thais Zara.

Ainda assim, a novidade do balanço de riscos foi foco de divergência entre os economistas consultados.

O BC disse acreditar que a inflação acima do esperado no curto prazo, em boa medida decorrente de preços de alimentos, pode se mostrar persistente, ainda que os profissionais ouvidos acreditem em um alívio até o final do ano.

Porém, ao destacar a permanência das incertezas em relação à aprovação e implementação dos "ajustes necessários" à economia, o BC gerou um cisma entre os analistas.

Thais Zara, da Rosenberg, crê que a instituição só deve reduzir a Selic na reunião de janeiro de 2017, quando a PEC dos Gastos, principal medida do pacote fiscal do governo, tiver tramitado por completo no Congresso.

"Quando a gente olha o calendário do Congresso, a gente tem esta percepção. Em agosto, não dá tempo. Em outubro, tem eleição. Em novembro, até que é possível, mas pouco provável porque o rito de emenda à Constituição é lento", comentou a economista da Rosenberg.

A economista da Companhia Francesa de Seguros e Comércio Exterior (Coface), Patricia Krause, também espera flexibilização da Selic somente em 2017, pois, de acordo com ela, o alívio para a inflação somente começará a se apresentar maior no final do ano.

Na opinião do economista-chefe da Garde Asset Management, Daniel Weeks, ao deixar explícito que não há espaço para flexibilização da política monetária e comentar os balanços negativos para a inflação, o BC, a priori, tira as probabilidades de corte em agosto. “O BC tende a ser paciente e conservador”, observou. O economista crê em redução da Selic a partir da reunião de novembro.

Na contramão, Molan, do Santander, espera um corte de 0,5 ponto porcentual na taxa básica de juros já no comitê de agosto. Para outubro e novembro, o economista espera outros cortes de 0,5 pp. Na avaliação dele, há espaço para melhorar o balanço de risco, passando pela redução das expectativas de inflação na esteira da descompressão da inflação dos alimentos. "De hoje a um mês e meio, o câmbio deverá pressionar a inflação para baixo", previu o economista do banco espanhol.

O economista-chefe da Linus Galena Consultoria, Ricardo Meirelles de Faria, considera "bastante factível" o início do processo de redução de juros já no mês que vem. "Mesmo com um mandato exclusivo para meta de inflação, creio que seria bastante producente e sinalizador, para a economia como um todo, o início do ciclo de redução já em agosto, o que, entretanto, parece bastante remoto", ponderou.

Ao prever corte de 0,50 ponto porcentual no Copom de outubro, o economista da GO Associados Luiz Fernando Castelli crê que o destaque o BC deu para o ajuste fiscal elimina as chances de corte de juros em agosto.

"O corte só deve vir quando medidas como a PEC dos Gastos estiver bem encaminhada. E isso depende da redução de incertezas políticas e a conclusão do processo de impeachment, o que deve vir somente no final de agosto", disse.

 

Por: Francisco Carlos de Assis
Fonte: Agência Estado (AE NEWS)

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