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2016/14/07
Risco País e Estudos Económicos

Setor de serviços mantém trajetória de queda, mostra pesquisa.

A primeira divulgação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) com a inclusão do ajuste sazonal dos dados, feita ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que o setor de maior peso na economia brasileira mantém trajetória negativa iniciada no fim de 2014, mas traz informações que indicam queda menos acentuada em alguns segmentos.

 

A PMS de maio apresentou volume de serviços prestados no país 0,1% menor que em abril. Na comparação com maio do ano passado houve queda de 6,1%, a maior para o mês desde 2012, início do levantamento. Já na leitura referente aos últimos 12 meses encerrados em maio, o volume de serviços caiu 4,8%. O desempenho é influenciado, sobretudo por um mercado de trabalho fraco e renda em queda.

 

Para Rafael Bacciotti, economista da Tendências Consultoria, mesmo com as novas informações geradas pela inclusão do ajuste sazonal na PMS, ainda não está claro se os dados divulgados são favoráveis à retomada da atividade econômica.

 

"Com o ajuste sazonal temos um horizonte maior de análise de conjuntura. A pesquisa veio estável na comparação mensal, mas as quedas se intensificam nas leituras anuais e trimestre contra trimestre. Se conseguirmos supor que a PMS venha estável em junho, ela fecharia o segundo trimestre com queda de 1,3%, uma notícia muito ruim para o PIB", disse o economista da Tendências, citando segmentos de peso da pesquisa que tiveram resultado ruim, como transportes, serviços prestados às famílias e outros serviços. De acordo com o IBGE, nos 12 meses encerrados em maio, os serviços prestados às famílias acumularam uma queda de 4,8%. Em janeiro, na mesma comparação, a queda nesse segmento somava 5,5%. O item outros serviços registrou queda de 9% em janeiro, contra 7,8% em maio, na mesma base, considerando o período de 12 meses.

 

"Como qualquer indicador de atividade, dá para dizer que tudo está piorando mais devagar, mas continua piorando. A perspectiva de termos uma reversão no volume dos serviços é ainda distante, mas sem dúvida a velocidade da piora está caindo. Isso se vê mais claramente na indústria e na construção e, com menos ênfase, no comércio, nos serviços, no emprego e na própria renda. O ritmo de queda só continua descaradamente firme no crédito", avalia José Francisco de Lima Gonçalves, economista­chefe do Banco Fator.

 

Para Gonçalves, a mudança de expectativa dos agentes econômicos com a percepção de troca de governo também explica esse movimento. "A indústria teve mudança muito grande já no primeiro semestre deste ano, refletindo a perspectiva de mudança de governo. Em serviços é diferente: a melhora é muito leve; na verdade, uma 'despiora', afirma Gonçalves.

No geral, o Fator avalia o desempenho do setor de serviços como "muito ruim", com perspectivas piorando, com algum espaço para recuo no desempenho do setor até o fim do ano. "Com rendimentos reais e desocupação piorando, o desempenho do setor deve se deteriorar mais. Por outro lado, o indicador de expectativa da FGV para o setor já está em estabilização desde a virada do ano", informa o relatório do banco. O dados de junho, segundo a nota, mantêm essa tendência.

 

Na opinião da economista para América Latina da seguradora Coface, Patrícia Krause, os dados negativos da PMS podem começar a virar apenas no último trimestre com melhores dados de emprego, inflação e notícias favoráveis no campo político, o que influencia as pesquisas de confiança.

 

"Olhando a pesquisa mensalmente, houve estabilidade. Juntando esse olhar com os dados de confiança do setor de serviços da FGV há melhora, nem tanto no aspecto de percepção do momento atual, que é muito volátil, mas a confiança melhora em termos de expectativa futura. Acredito que isso tem relação com o recuo da inflação, uma desaceleração do ritmo negativo de perda de empregos no país e uma possível estabilização do cenário político depois de agosto. Isso pode influenciar serviços positivamente, mas só no último trimestre de 2016", afirma Patrícia.

 

Para o IBGE, uma das explicações para o resultado ruim da PMS é a indústria. Enquanto a queda no volume de serviços prestados em maio foi de 6,1% na comparação com igual mês do ano passado, a produção industrial recuou 7,8% no mesmo período. Entre abril e maio, na série com ajuste sazonal, a indústria apresentou variação nula e os serviços caíram 0,1%.

Na avaliação de Roberto Saldanha, analista da coordenação de serviços e comércio do IBGE e responsável pela pesquisa de serviços, a retomada do setor está ligada à indústria e, em certa medida, também à recuperação de contratos com o setor público. "O setor de serviços depende muito do desempenho do setor industrial", diz Saldanha.

Por: Luciano Máximo e Robson Sales
Fonte: Valor Econômico - http://www.valor.com.br/brasil/4634079/setor-de-servicos-mantem-trajetoria-de-queda-mostra-pesquisa#
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