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2018/16/04
Publicações Económicas

As novas rotas comerciais do Mediterrâneo

As novas rotas comerciais do Mediterrâneo
  • Os mercados se aceleram nos países do Sul e do Leste, particularmente, nas exportações da indústria automotiva e de bens do setor de Tecnologia & Comunicações.
  • Grécia, Chipre e Egito aparecem como novos fornecedores de matérias-primas, energia, produtos químicos e de construção.

 

O comércio intra regional desacelera.

Embora na Ásia a importância do comércio regional tenha crescido, os países da região do Mediterrâneo estão se esforçando para alcançar esse objetivo. Apesar da proliferação de acordos multilaterais e bilaterais estabelecidos desde 1995, denominados "Processo de Barcelona"; há uma evolução negativa no comércio intra-mediterrâneo, de 31% nas exportações em 2001 para 29% em 2016.  Devido à sua dimensão, uma grande parte do comércio regional (79,4% do fluxo de importações e exportações) concentra-se na sub-região euro-mediterrânica [1], que compromete os países da zona euro-mediterrânica. No entanto, vem perdendo terreno nos últimos 15 anos, em benefício dos países da sub-região meridional do Mediterrâneo [2](10,1%), a região mediterrânica oriental[3] (8,4%) e os Balcãs [4] (2%).

 

Apesar do aumento nos esforços de cooperação dos últimos 20 anos, existem inúmeras explicações para o baixo nível de integração comercial. A competição entre os países do sul e do leste que se especializam no setor agrícola e têxtil é, às vezes, o primeiro argumento usado para esse fracasso, mas há outros. A crise de 2009 e a Primavera Árabe em 2011 impactaram negativamente a abertura dos países da região, desacelerando ainda mais os países do sul e leste do Mediterrâneo, com exceção do Marrocos. Além disso, a sucessão dos acordos apresentados complicou o processo comercial, com condições que variam entre os diferentes acordos. Paralelamente, apesar da expressa disposição de mais comércio, o número de medidas protecionistas (como impostos, medidas antidumping, subsídios públicos e cotas) tem aumentado constantemente. Desde 2012 -  381 medidas protecionistas foram implementadas em todo o Mediterrâneo, das quais cerca de metade são direcionadas diretamente para os países da região.

 

As exportações do sul e leste do Mediterrâneo aumentaram nos setores automotivo e de Tecnologia & Comunicações e são dedicadas ao fornecimento de matéria prima.

 

Novas tendências começaram a surgir nas estruturas das exportações dos países do Mediterrâneo desde a década de 2000. A Zona Euro Mediterrânea parece estar perdendo terreno em setores de valor agregado, como o automotivo e TI&C (tecnologia da Informação & Comunicações) para exportações de produtos agrícolas processados e químicos. Os países do sul e leste do Mediterrâneo começam a demostrar um aumento em detrimento a setores tradicionais como o têxtil. Estas dinâmicas são menos marcadas nos Balcãs, ainda que exista um aumento nas exportações de produtos agroalimentares e metais. Adicionalmente, o comércio entre os países da África do Norte e os países do leste do Mediterrâneo se fortaleceu e novas rotas comerciais começam a surgir.

 

  • Automotiva : Marrocos e Turquia

A política adotada pelo Marrocos e pela Turquia para unir cadeias globais de valor, desenvolvendo e fortalecendo setores industriais, contribuiu para a reconfiguração das exportações automotivas no Mediterrâneo. Em 2016, a Turquia representou 13% das exportações de automóveis (em comparação com apenas 2% em 2000), com um aumento nos fluxos para os países da Zona Euro-Mediterrânica. Durante o período de 2012-2016, as exportações do setor automotivo do Marrocos representaram 13% do total das exportações do país. Embora essas exportações sejam principalmente destinadas aos mercados europeus, seus parceiros também incluem a Turquia e o Egito.

 

  • TIC: Tunísia e Marrocos

Tanto a Tunísia quanto o Marrocos estão na fase de expansão das exportações do setor de tecnologia da informação e comunicação. Na Tunísia, esta nova especialização reflecte um aumento das exportações da área do euro e do Mediterrâneo (principalmente na França, mas também na Espanha) e representa atualmente 30% de todas as exportações do país para esta sub-região.No Marrocos, verifica-se uma evolução nos principais destinos de exportação, com aumentos nos seus fluxos para Espanha e Itália, enquanto diminuem na França, Portugal e Malta.

 

  • Energia: Grécia e Malta

Embora a energia seja o item mais comercializado na região do Mediterrâneo, a estrutura do setor está mudando. As exportações de gás e petróleo estão perdendo importância em favor dos produtos refinados. Grécia e Malta aumentaram suas exportações do Leste Mediterrâneo, como a Turquia e o Egito.

 

  • Químicos: Egito e Chipre

Uma das indústrias tradicionais do Egito é o setor químico e plástico. Orientada para a exportação, a Turquia e o Líbano são seus principais clientes, enquanto os fluxos para a zona euro-mediterrânica estão crescendo, particularmente na França. Chipre também tem como alvo os países do Leste Mediterrâneo, como Israel, Grécia e Líbano.

 

[1]Euro Mediterrânea: Portugal, Espamha, França, Italia, Eslovênia, Grécia, Chipre e Malta

[2]Sul do Mediterrâneo: Marrocos, Argélia, Tunísia, Líbia e Egito

[3] Leste do Mediterrâneo: Israel, Turquía e Líbano

[4] Os Balcãs: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Croácia e Montenegro

 

 

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Contacto


Carolina ALMEIDA

Marketing&Communication Manager
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mail : carolina.almeida@coface.com

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