De acordo com dados divulgados no último dia 11 pelo IBGE, o PIB brasileiro apresentou uma contração de 0.2% em 2009. O país não amargava um resultado negativo desde 1992, quando verificou uma retração de 0.5%. O número pode ser considerado positivo, em virtude da crise econômica mundial desencadeada em setembro de 2008 e de seus desdobramentos durante grande parte do ano 2009.
A expectativa é de que o desempenho da economia brasileira fique em sexto lugar entre os países pertencentes ao G20 (grupo constituído pelas maiores economias desenvolvidas e emergentes do mundo).
Este resultado confirma o processo de ganho de credibilidade do Brasil, resultante de políticas macroeconômicas de maior responsabilidade e transparência (meta de inflação e superávit primário), redução da dívida pública e da solidez do sistema bancário. Soma-se a isso, a rápida e eficaz intervenção do governo durante o período de crise.
Considerando o fator demanda, o consumo das famílias cresceu 4.1%, assim como as despesas do governo, que cresceram 3.7% em 2009.
O Consumo familiar é reflexo do crescimento do crédito à pessoa física e da massa salarial real. No entanto, devido a incerteza do mercado, o investimento contraiu 9.9% no mesmo período, caindo para 16.7% do PIB, menor valor desde 2006. Em relação ao setor externo houve retração do volume de comércio, representado por contração tanto das exportações (-10.3%) quanto das importações (-11.4%).
Sobre a ótica da oferta, a crise foi sentida de forma mais intensa na indústria (-5.5%). Os empresários temerosos iniciaram 2009 queimando seus estoques e produzindo muito abaixo da capacidade máxima. Considerando o mesmo período, a atividade agropecuária caiu 5.2% em decorrência da quebra de safra e retração da oferta de crédito. Por fim, o setor de serviços ajudou a amortecer a queda dos demais crescendo de 2.6%.
As projeções para a economia em 2010 são bem otimistas.
De acordo com as expectativas de mercado divulgadas pelo Boletim Focus, o PIB crescerá 5.5%. Contudo, analistas frisam que esse ritmo de crescimento não é sustentável a longo prazo. O Brasil já mostra sinais de recuperação, mas como a taxa de investimento é baixa e a poupança insuficiente, os preços tendem a ser elevados. O BACEN por sua vez, pode ser obrigado a elevar os juros no intuito de conter a pressão inflacionária.
Resumindo, para alcançarmos taxas expressivas de crescimento a longo prazo precisamos invariavelmente elevar nossa capacidade de investimento e poupança.
Posted by Patrícia Krause – Economia