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Conjuntura Econômica vs. Perspectivas para 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

O cenário atual da economia brasileira pode ser considerado bastante positivo. Segundo dados divulgados no mês passado pelo IBGE, a expansão da atividade econômica no primeiro trimestre de 2010 foi de 9 % em relação a igual período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o Boletim Focus do Banco Central, que aponta as perspectivas do mercado financeiro,  continua elevando as projeções para o PIB de 2010. De acordo com o relatório mais recente, o PIB deve encerrar o ano com variação positiva de 7.2%. Vale frisar que tal previsão representa a 16° alta consecutiva das estimativas.

Pelo fator demanda, o resultado do primeiro trimestre foi impulsionado principalmente pelo desempenho do investimento. Esse foi beneficiado pela confiança do empresariado e pela utilização da capacidade instalada, no entanto, a taxa ainda é considerada baixa. Já o consumo das famílias continua em trajetória ascendente, resultante da combinação de mercado de trabalho e condições de crédito favoráveis. Em contrapartida, o setor externo apresentou variação negativa em igual período. Tal resultado vai de encontro com o ritmo de crescimento mais acentuado da economia brasileira em relação a muitos de seus parceiros comerciais (caso da União Européia e Estados Unidos).

Seguindo a ótica da oferta, a indústria, componente mais afetado durante a crise, foi o segmento que mais avançou no primeiro trimestre. A título de conhecimento, a produção do setor superou em março o patamar pré-crise, com destaque para a categoria de bens de capital. Os números registrados na agropecuária também são superiores aos verificados no ano passado. Condições metereológicas favoráveis contribuíram para o bom desempenho de culturas como soja, milho e café. Por fim, o setor de serviços que apresenta maior peso na composição do PIB, 58.9% em 2009, não divergiu dos demais e avançou 5.9% em igual período de referência.

Se o PIB mantivesse o ritmo de expansão verificado no primeiro trimestre do ano, obteríamos um acumulado de quase 11% no final 2010. Tal resultado é condizente com a atual realidade do país? Com certeza não, pois acarretaria em pressão inflacionária. Na realidade, as estimativas já indicam que a inflação deva encerrar o ano acima da meta de 4.5%. O Banco Central, por sua vez, iniciou uma trajetória de elevação da Selic em abril, no intuito de conter o processo de alta dos preços e não comprometer o crescimento econômico sustentado de longo prazo. Em suma, uma taxa de expansão em torno de 7% parece mais factível com nossa estrutura. Se quisermos crescer como uma China, por exemplo,  precisamos invariavelmente aumentar de forma significativa nossa taxa de investimento.

Posted by Patrícia Krause – Economia

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