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As empresas no Brasil precisam despertar para a importância do Seguro de Crédito

segunda-feira, 22 de março de 2010

O Seguro de Crédito, no Brasil, ainda não é conhecido pela maioria das pessoas. Este seguro vem sendo mais difundido nos últimos anos, apesar de ser uma prática muito usual na Europa, onde existe desde o início do século XIX.

Em 1927, o governo Francês criou um órgão estatal que funcionava garantindo os riscos de crédito até depois da Segunda Guerra Mundial. Após a Grande Guerra, mudanças estruturais ocorreram no Estado Francês, sendo então criada em 1946, a “Compagnie Française d’Assurance pour Le Commerce Extéreur” – atual COFACE, Companhia Francesa de Seguro para o Comércio Exterior.

O Seguro de Crédito é uma apólice de seguro como todas as outras, porém nesse caso, contratada somente por empresas, com o objetivo de assegurar o valor total ou parte das negociações, contra o risco de inadimplência de pagamentos.

As seguradoras de crédito cobrem Riscos Comerciais (mora ou insolvência), Políticos (conflitos civis, militares ou golpes de Estado) e Extraordinários (desastres naturais).

O Seguro de Crédito pode ser contratado para vendas domésticas (operações realizadas dentro do país) ou exportações. Neste último, o contrato poderá ser de curto prazo, ou seja, são aqueles pagamentos com um prazo menor que 24 meses;  ou pode ser de médio e longo prazo, ou seja, pagamentos acima de 2 anos.

Poucas empresas sabem disso, mas o seguro de crédito possui um leque enorme de vantagens para quem contrata:

  •  - Reduz a chance de fazer negócio com compradores duvidosos.
  •  - Permite agilidade na venda.
  •  - Quem contratou tem a certeza que vai receber.
  •  - Por ter mais segurança para realizar as operações, a empresa pode aumentar o volume de suas vendas.
  •  - O processo de cobrança é conduzido pela seguradora, evitando possíveis conflitos com clientes/ importadores.
  •  - Facilita o acesso ao crédito.
  •  - A apólice poder ser utilizada como garantia para operações de financiamento bancário, Pré-Pagamento e Forfait.
  •  - Redução dos custos com a atividade de crédito e cobrança.
  •  - O custo do seguro pode ser contabilizado como uma despesa operacional e deduzido na base para calculo do imposto de renda

Muitos devem se pergurtar como este tipo de seguro funciona. Posso dizer que é bem descomplicado, apesar de ter que seguir algumas etapas. O seguro de crédito funciona da seguinte forma:

A empresa apresenta à Seguradora, as informações da sua carteira de clientes. A Seguradora, por sua vez, avalia os riscos e poderá cotar o Seguro de Crédito para os dois contratos simultaneamente, ou seja, para o mercado doméstico e exportação.

No caso da Coface, ao avaliar o risco de crédito, levamos em consideração, fatores importantes como, risco do setor de atividade, histórico de perdas, concentração de risco, rating dos clientes, prazo de pagamento, entre outros.

A apólice de seguro é um contrato anual. O Segurado pode incluir novos clientes/importadores durante a vigência, além de aumentar negócios com os seus principais compradores. 

Enfim, o Seguro de Crédito, além de cobrir os riscos das negociações que a empresa já faz normalmente, encoraja a buscar mais negócios, pois a Seguradora se torna um verdadeiro parceiro. 

Na Europa, é praticamente inconcebível e arriscado para uma empresa não possuir um Seguro de Crédito. É o mesmo que não fazer um seguro de automóvel para quem mora em cidades como São Paulo ou Rio de Janeiro.

Está na hora das empresas brasileiras também se conscientizarem da importância deste seguro, pois afinal o mesmo protegerá o seu maior patrimônio: o faturamento!

Depois da crise de crédito mundial iniciada em 2008, muitas empresas acabaram despertando para a necessidade deste seguro, mesmo que aqui no Brasil, a crise tenha sido apenas “uma marolinha” como declarou nosso Presidente Lula.

Sorte nossa que a crise não atingiu proporções catastróficas como foi na América do Norte e na Europa, mas ninguém está imune a futuras crises. Isto não é mau agouro, é apenas um alerta para que as empresas aqui no Brasil despertem para este tipo de proteção!

  • Posted by Denise Cortez – Comercial
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Como estamos após um ano do início da Crise?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Essa é uma pergunta que muitos estamos fazendo ainda…de forma geral, a atual conjuntura econômica do Brasil está muito melhor do que a maioria dos analistas previa há um ano.

Tecnicamente não estamos mais em recessão: o IBGE constatou que o PIB cresceu 1,9% em 2º TRI /09 na comparação com o 1º TRI / 09 e decresceu 1,2% em relação ao 2º TRI / 08.

Os economistas apontam para um crescimento próximo a zero em 2009 e uma retomada de um crescimento maior que 4% em 2010.

Sabemos, no entanto, que este desempenho não foi uniforme; há ressalvas importantes a serem feitas com relação aos diferentes setores da economia.

Analisando o PIB do lado da Demanda, o Consumo das famílias e o Consumo da Administração Pública continuaram fortes, com crescimento de 3,2% e 2,2%, respectivamente, na comparação com o mesmo período de 2008.

As Exportações, embora 11,4% menor na comparação com o 2º TRI /08, apresentaram crescimento de 14,1% na comparação com o 1º TRI /09.

Os Investimentos (Formação Bruta de Capital Fixo), embora 17% menor em relação ao 2º TRI /08, apresentaram estabilidade na comparação com o 1º TRI /09.

 

VAREJO

O varejo continua sendo o grande destaque positivo da economia brasileira.

O volume de vendas e a receita nominal do comércio varejista aceleram em julho, crescendo 0,5 % em relação a junho / 2009. Já em relação a julho de 2008, o volume de vendas e a receita nominal do varejo cresceram 5,9% e 9,4%, respectivamente.

Nos sete primeiros meses do ano, esses indicadores registraram elevação de 4,7% e 9,8%; enquanto nos últimos 12 meses, volume de vendas e receita acumularam alta de 5,8 % e 11,4%, respectivamente.

 Dentre os fatores que contribuíram para este bom desempenho, destacam-se: aumento real Massa salarial, que cresceu 3,3% no segundo trimestre de 2009; aumento de 20,3%, em termos nominais, do Saldo de operações de crédito do sistema financeiro com recursos livres para as pessoas físicas, bem como aumento gradual do Crédito direto ao consumidor; Desonerações fiscais feitas pelo governo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) no setor automobilístico e na linha branca; Estabilidade nos preços (em alguns setores houve até queda nos preços); satisfatórios índices de Confiança do Consumidor. A única exceção é o varejo de Materiais de Construção, cujas variações foram de -12,5% na relação julho09 / julho08, de -10,3% no acumulado do ano e de -4,9% nos últimos 12 meses (em volume de vendas, mesmo com a redução do IPI).

INDÚSTRIA

Indústria apresentou forte queda com relação a 2008 (-7,9%), mas mostrou sinais de recuperação com o crescimento de 2,1% na comparação do 2º TRI /09 com o 1º TRI /09. Interessante notar o desempenho bastante diferente entre alguns setores da indústria; nos GRÁFICO 2 (MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS), GRÁFICO 3 (VEÍCULOS AUTOMOTORES) e GRÁFICO 4 (METALURGIA BÁSICA) observam-se alguns casos extremos de queda acentuada no final de 2008 e recuperação gradual em 2009. Por outro lado, observamos no GRÁFICO 5 (BEBIDAS) e no GRÁFICO 6 (FARMACÉUTICA) que simplesmente estes não registraram queda em 2008 e até cresceram em 2009.

Grafico1

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 1)

 

Grafico2

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 2)

 

 Grafico3 

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 3)

 

Grafico4

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 4)

 

 Grafico5 

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 5)

 

Grafico6

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 6)

Entre as categorias de uso, ainda na comparação com julho de 2008, o segmento de bens de capital permanece registrando o recuo mais elevado (-23,9%).

Ainda na comparação com julho de 2008, recuando em menor ritmo que a média da indústria (-9,9%), bens de consumo duráveis (-6,7%) registrou a menor queda desde outubro do ano passado, impulsionado, sobretudo pelo comportamento positivo da produção de eletrodomésticos (12,5%), que cresce pelo terceiro mês consecutivo, especialmente influenciado pela “linha branca” (38,2%), já que a “linha marrom” recuou 26,2%.

 

 AGROPECUÁRIA

O resultado da Agropecuária (queda de 4,2% com relação 2º TRI /08 e queda de 0,10% com relação ao 1º TRI /09) pode ser, em grande parte, explicado pelo desempenho de alguns produtos que possuem safra relevante no trimestre e têm estimativas de queda na produção em 2009, caso da soja, do milho e do café. No último levantamento do IBGE, a estimativa é uma queda de 8,6% na safra de grãos em 2009, na comparação com 2008. Esta redução se deve principalmente a três fatores: (1) Seca ocorrida da região Centro-Sul, (2) Falta de Crédito (Bancos Estrangeiros, Bancos Especializados em Crédito Rural e, principalmente, das Tradings) para financiar as plantações (principalmente Soja, cujo plantio no Centro-Sul ocorre nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro) e Redução de 0,4% na área plantada.  Para a Safra 2009/2010, os produtores deverão enfrentar um cenário mais positivo em função do restabelecimento gradual das linhas de financiamento e da redução nos custos de plantação nos dois principais fatores de custo: fertilizantes e defensivos.

 

OPERAÇÕES DE CRÉDITO DO SISTEMA FINANCEIRO

Na última divulgação do Banco Central do balanço das operações de crédito de julho, o volume global de crédito do sistema financeiro aumentou 2,6 % em relação a junho, para R$ 1,311 trilhão, ou 45% do Produto Interno Bruto (PIB), comparativamente a 43,9% em junho e a 36,7% em julho de 2008. Em 12 meses, houve crescimento de 20,8%.

Observam-se, principalmente, expansões nas operações realizadas pelo BNDES e nas principais modalidades destinadas a pessoas físicas, entre as quais continuaram em destaque os financiamentos habitacionais. A representatividade dos Bancos Públicos continuou em trajetória ascendente, passando a representar 39,9% do total dos empréstimos, Os financiamentos efetuados pelo BNDES, volume de R$248,2 bilhões, registraram evolução mensal de 12,2% no mês e de 41% em relação a julho de 2008. Os créditos concedidos a pessoas jurídicas alcançaram R$ 461,3 bilhões, com redução de 0,7% no mês (que reflete o ritmo mais lento de retomada dos negócios nesse segmento, bem como o efeito contábil da apreciação cambial sobre os valores relativos às operações referenciadas em recursos externos) e incremento de 12,8% em relação a julho de 2008.

A inadimplência dos empréstimos a pessoas físicas permaneceu estável em 8,6%. Os atrasos relativos à carteira de pessoas jurídicas situaram-se em 3,8%, com elevação mensal de 0,4 p.p (ver gráfico 7).

Grafico7 

(clique aqui para uma melhor vizualização do Gráfico 7)

 

Vale ressaltar que houve significativo aperto de crédito para as pequenas e médias empresas, o que explicaria, em parte, o aumento da inadimplência da PJ.

  

CONCLUSÃO

 Muito embora o varejo e o consumo das famílias tenham apresentado resultados muito positivos e a indústria tenha apresentado alguma recuperação, setores cujo desempenho é fortemente ligado a investimentos, tais como Bens de Capital e Construção Civil / Matérias de Construção, bem como as empresas de pequeno e médio porte e/ou focadas em produtos de exportação, continuam sofrendo bastante com os efeitos da crise, seja pela diminuição da demanda, seja pelo aperto no crédito. Espera-se, no entanto, uma recuperação gradual destes setores, principalmente em função da gradual recuperação externa, do crescimento do PIB em 2010, do aumento da Confiança da Indústria e dos incentivos governamentais.

 

Posted by André Pião – Infoline

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