Após um ano marcado por forte recessão, a expectativa para 2010 é de retomada gradual da economia americana. Apesar da projeção de crescimento mais acelerado para os países emergentes, o ritmo de recuperação da atividade nos Estados Unidos deverá ser superior à Zona do Euro.
As estimativas de mercado para o PIB de 2010 são bem divergentes. Enquanto o FMI aposta em uma expansão conservadora de 1,5%, os analistas do Credit Suisse acreditam que um incremento de 3,3% seria factível com a atual conjuntura da economia americana.
Pela ótica da demanda agregada, o consumo (variável de maior peso na composição de seu produto) deve crescer de forma moderada, em decorrência de um mercado de trabalho ainda debilitado e de uma oferta de crédito contraída. Vale frisar que o governo deve dar continuidade à sua política fiscal expansionista, uma vez que os riscos de uma recaída no processo de retomada da atividade ainda não foram completamente sanados.
Qual seria o impacto do cenário acima para os demais países? Considerando um contexto global de economia aberta sem controles de capitais, existem dois principais canais de “contaminação”.
Conta de Capital: Por exercer um papel de “formador” de taxa de juros, a manutenção de sua taxa em níveis próximos de zero, propiciou um grande fluxo de capitais para países com maior rentabilidade. O Brasil é um bom exemplo desse processo, o alto fluxo de investimento estrangeiro direto em 2009 deve compensar integralmente o déficit em conta corrente. No entanto, se o FED julgar que a economia americana está reagindo bem e decidir por elevar os juros, os investidores estrangeiros poderão realocar seu capital para terras norte-americanas.
Segundo ponto: Por ainda ser a maior potência mundial, a combinação de consumo e investimento desaquecidos nos Estados Unidos reflete negativamente na Balança Comercial de todos seus parceiros comerciais. A saber, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para o período de jan – junho 2009, o mercado americano foi o segundo principal destino de nossas exportações (10,4%). Ao mesmo tempo o Brasil é um país relativamente pouco aberto ao comércio exterior, fato este que o torna menos vulnerável a reduções na demanda mundial.
Posted by Patrícia Krause – Economia
