Reino Unido

Europa

PIB per capita (US$)
$49647.6
População (em 2021)
68,0 milhões

Avaliação

Risco País
A3
Ambiente Empresarial
A1
Anteriormente
A3
Anteriormente
A1
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Resumo (conteúdo disponível apenas em inglês)

Pontos fortes

  • A produção de hidrocarbonetos cobre três quartos das necessidades energéticas
  • Setores de alto valor agregado (aeronáutica, farmacêutico, automotivo)
  • Forte presença nos setores financeiro, jurídico e de outros serviços empresariais
  • Regime tributário e jurídico competitivo e atraente

Pontos fracos

  • Elevado nível de endividamento do setor público, das famílias e do setor financeiro
  • Baixa produtividade e déficit de capacitação, fatores que não favorecem a inovação
  • Investimento insuficiente em infraestrutura, incluindo também habitação e transporte
  • Disparidades regionais entre o Sudeste (especialmente Londres) e o restante do país

Trocas comerciais

Exportaçãode bens como % do total
Estados Unidos da América
16%
Alemanha
9%
Países Baixos
8%
Irlanda
7%
França
6%

Importaçãode bens como % do total

Alemanha 12 %
12%
China 10 %
10%
Estados Unidos da América 10 %
10%
Países Baixos 9 %
9%
França 6 %
6%

Avaliações de Risco Setorial

Perspectiva

A perspectiva econômica destaca as oportunidades e riscos futuros, ajudando a antecipar mudanças importantes. Essa análise é essencial para qualquer empresa que busca se adaptar às transformações no ambiente de negócios.

Crescimento gradual graças aos gastos públicos

A economia do Reino Unido deverá crescer a um ritmo modesto em 2025, impulsionada pelo fortalecimento do consumo das famílias e pelo aumento dos gastos e investimentos do governo. Embora se preveja um ligeiro aumento do desemprego, o forte crescimento dos salários nominais deve ajudar a sustentar o poder de compra. No entanto, um novo aumento da inflação poderia corroer parte desses ganhos e limitar a capacidade do Banco da Inglaterra de reduzir as taxas de juros de forma mais agressiva. Ainda assim, espera-se que as taxas de juros diminuam, com a taxa básica provavelmente encerrando o ano mais próxima de 4%.

Os gastos e investimentos do governo serão os principais impulsionadores do crescimento, com o orçamento de outono ampliando tanto os gastos correntes quanto os projetos planejados de infraestrutura e habitação, apoiados por mudanças nas políticas. No entanto, grande parte desse estímulo é financiada por meio de impostos corporativos mais altos, o que poderia pesar sobre o investimento privado. Enquanto isso, espera-se que as exportações tenham uma recuperação modesta, impulsionada por exportações mais fortes de serviços, enquanto as exportações de bens continuam limitadas pela fraca demanda dos principais parceiros comerciais do Reino Unido, a UE e os EUA.

As insolvências corporativas caíram quase 5% em 2024, mas permanecem elevadas, inclusive entre empresas mais antigas e consolidadas. Embora se espere que os níveis de insolvência se estabilizem ou diminuam ligeiramente em 2025, muitas empresas continuam enfrentando dificuldades com custos elevados — particularmente de mão de obra e energia —, o que representa um risco de revisão para baixo nas perspectivas.

A situação fiscal pública restritiva deve melhorar ligeiramente

Em 2025, espera-se que o déficit fiscal diminua ligeiramente, impulsionado pelo aumento da arrecadação tributária decorrente de salários mais altos e de um aumento nos impostos (como as contribuições patronais para a previdência social). No entanto, os gastos do governo devem aumentar, conforme delineado no orçamento de outono, financiados em parte por esses aumentos de impostos e por novos empréstimos. Como resultado, projeta-se que a dívida pública como porcentagem do PIB continue sua trajetória ascendente. Espera-se que o Banco da Inglaterra continue com o aperto quantitativo em 2025, reduzindo suas carteiras de títulos públicos em mais 100 bilhões de libras esterlinas entre setembro de 2024 e setembro de 2025. Isso ocorrerá principalmente por meio do vencimento natural dos títulos, em vez de vendas ativas, com cerca de 80 bilhões de libras esterlinas em títulos com vencimento previsto para esse período.

Espera-se que o déficit em conta corrente do Reino Unido apresente alguma melhora em 2025, já que o superávit contínuo nos serviços compensa parcialmente o déficit comercial persistente de bens. As exportações de serviços provavelmente permanecerão fortes, apoiadas pela posição de destaque do Reino Unido no mercado global de serviços financeiros e profissionais, bem como por uma taxa de câmbio favorável devido ao dólar forte. Enquanto isso, espera-se que o aumento do consumo privado impulsione as importações. A introdução gradual de controles nas fronteiras em 2024 — incluindo inspeções físicas e declarações —, juntamente com a implementação total dos controles de animais vivos, do Sistema de Entrada/Saída (EES) e do ETIAS em 2025, deve causar alguns atritos e aumentar os custos comerciais entre o Reino Unido e a UE. No entanto, o impacto econômico geral provavelmente será limitado.

Agenda legislativa movimentada em 2025

O governo trabalhista enfrenta uma queda na popularidade, com pesquisas recentes indicando uma queda de 10 pontos ao comparar o início de 2025 com as eleições de julho de 2024, e o índice de aprovação líquido do primeiro-ministro Keir Starmer caindo de +28 após as eleições para -32. Apesar disso, o Partido Trabalhista mantém uma confortável maioria de mais de 75 cadeiras no Parlamento. O governo tem uma agenda legislativa movimentada em 2025, incluindo uma reforma do mercado de trabalho, um projeto de lei de planejamento atualizado e a estratégia industrial definitiva (juntamente com uma revisão dos gastos). Embora se espere que as reformas do mercado de trabalho aumentem os custos para as empresas, o projeto de lei de planejamento e a estratégia industrial poderiam ajudar a impulsionar o investimento e a atividade econômica — embora seja mais provável que qualquer impacto significativo ocorra a partir de 2026 do que no curto prazo.

O Reino Unido também está navegando por um cenário geopolítico cada vez mais complexo, equilibrando sua relação com os Estados Unidos enquanto busca laços mais estreitos com a União Europeia. Ao contrário de muitos países, o Reino Unido mantém um comércio de bens relativamente equilibrado com os EUA, com exportações principalmente na área de serviços, o que o torna menos exposto a possíveis tarifas. No entanto, o governo está empenhado em fortalecer os laços comerciais e de segurança com ambos os parceiros, e espera-se que uma maior colaboração em defesa sirva como símbolo da melhoria das relações entre o Reino Unido e a UE. Isso ocorre em um momento crucial, já que o Reino Unido deve aumentar os gastos com defesa nos próximos anos.

Práticas de Pagamento e Cobrança

Esta seção é uma ferramenta valiosa para diretores financeiros corporativos e gestores de crédito. Ela fornece informações sobre as práticas de pagamento e cobrança de dívidas utilizadas no país.

Pagamento

Os cheques ainda são utilizados para pagamentos comerciais nacionais e internacionais, embora as letras de câmbio e as cartas de crédito sejam preferidas para transações internacionais. As transferências bancárias — especialmente as transferências SWIFT — também são frequentemente utilizadas e consideradas um método de pagamento rápido e confiável. Os débitos diretos e as ordens de pagamento permanentes também são reconhecidos como soluções práticas para efetuar pagamentos regulares ou antecipados e são amplamente utilizados, especialmente em transações nacionais. É aceitável emitir faturas tanto antes quanto depois do fornecimento de bens ou serviços.

Cobrança de dívidas

FASE AMIGÁVEL

O processo de cobrança de dívidas geralmente começa com o envio de uma notificação de pagamento ao devedor, seguida por uma série de correspondências adicionais, ligações telefônicas e (se o valor da dívida permitir) visitas pessoais e reuniões com o devedor. O processo de cobrança foi concebido como uma sequência de etapas, começando com uma fase de cobrança amigável (pré-judicial) e evoluindo até o litígio, caso o devedor não cumpra suas obrigações.

PROCESSOS JUDICIAIS

O Tribunal de Comarca tem apenas jurisdição civil. Os juízes julgam ações relacionadas à cobrança de dívidas, danos pessoais, quebra de contrato envolvendo bens ou propriedades, recuperação de terras e questões familiares (como divórcio e adoção). Processos com valor inferior a 25.000 libras esterlinas (ou inferior a 50.000 libras esterlinas para casos de danos pessoais) devem ter sua primeira audiência no Tribunal de Condado.

O Tribunal Superior (High Court) tem sede em Londres, mas também possui distritos provinciais conhecidos como “Registros Distritais” por toda a Inglaterra e País de Gales. Possui três divisões: a Divisão do Queen’s Bench, a Divisão da Chancelaria e a Divisão de Família.

O Tribunal de Apelação possui duas divisões: a Divisão Cível e a Divisão Criminal.

A Suprema Corte é composta por um presidente, um vice-presidente e doze juízes profissionais.

Processos acelerados (sentenças sumárias)

Para solicitar uma sentença sumária, o requerente deve obter um Formulário de Notificação de Pedido junto ao tribunal. Esse formulário deve ser acompanhado de uma Declaração na qual o requerente expõe os motivos pelos quais acredita que a sentença sumária deve ser proferida — seja porque o requerido não tem perspectivas reais de defender-se com sucesso contra a ação, seja porque não há motivo para que o caso seja decidido por meio de um julgamento completo.

Uma cópia dessa declaração é notificada à parte contrária sete dias antes da audiência de julgamento sumário. A parte contrária também tem a oportunidade de apresentar uma declaração, mas esta deve ser enviada no máximo três dias antes da audiência. O requerente não pode solicitar a sentença sumária até que o devedor tenha devolvido um formulário de reconhecimento de citação ou apresentado uma contestação. Se o tribunal concordar com o requerente, proferirá uma sentença favorável. O pedido será indeferido se o tribunal não concordar com o requerente.

Processos ordinários

Atualmente, existem procedimentos e jurisdições idênticos para o Tribunal de Comarca e o Tribunal Superior. Foram criadas diversas “vias” de litígio, cada uma com seus próprios prazos processuais. As ações são alocadas a uma via por um juiz de processo, de acordo com seu valor monetário. Existem processos de conciliação que devem ser seguidos antes de se iniciar uma ação judicial. Esses processos foram concebidos para incentivar as partes envolvidas a resolverem disputas sem a necessidade de procedimentos judiciais, minimizando assim os custos e o tempo de tramitação.

O processo tem início formal quando o requerente (anteriormente denominado “autor”) apresenta um Formulário de Reivindicação ao Tribunal de Comarca ou ao Tribunal Superior. Os detalhes completos da reclamação são apresentados na Exposição dos Fatos, que geralmente é um documento separado que acompanha o Formulário de Reivindicação. O Formulário de Reclamação deve ser notificado ao réu pelo tribunal ou pelo requerente. O réu pode então responder ao formulário de reclamação no prazo de 14 dias a partir da notificação. É concedida uma prorrogação de 28 dias para que o devedor apresente uma contestação e/ou uma reconvenção. Uma vez trocados esses documentos formais, o tribunal ordena que ambas as partes preencham um “Questionário de Alocação”.

Ordem de bloqueio (anteriormente conhecida como “Liminar Mareva”)

Uma ordem de bloqueio (ou liminar de bloqueio) é uma medida cautelar especial que impede o réu de alienar bens ou retirá-los do país. Uma das condições associadas à concessão dessa ordem é, frequentemente, que o requerente pague integralmente as custas à pessoa contra a qual a medida foi tomada, caso ela venha a ser considerada inadequada. Um litígio comercial típico pode levar de 18 a 24 meses para chegar a uma sentença, a partir do momento em que a ação judicial é inicialmente iniciada.

Execução de uma decisão judicial

Existem diversos mecanismos de execução disponíveis. Entre eles estão o Mandado de Execução (que permite que um oficial de justiça do Tribunal de Comarca solicite o pagamento ao devedor) e o Mandado de Fieri Facias para dívidas superiores a 600 libras esterlinas, nos termos do qual um oficial de justiça do Tribunal Superior pode apreender bens no valor equivalente à dívida objeto da sentença (para posterior venda em leilão e compensação com o valor devido).

Como membro da União Europeia, o Reino Unido adotou diversos mecanismos de execução para decisões proferidas em outros países da UE. Entre eles estão as ordens de pagamento da UE, que são diretamente executáveis nos tribunais nacionais, e a Ordem de Execução Europeia, para créditos incontestados. Sentenças proferidas em países fora da UE são reconhecidas e executadas se o país de origem tiver um acordo com o Reino Unido. Caso não haja tal acordo, o Direito Internacional Privado inglês prevê um procedimento de exequatur.

Processos de Insolvência

ADMINISTRAÇÃO

A administração é concebida como um mecanismo de resgate que permite às empresas (sempre que possível) continuar com suas operações comerciais. O procedimento é iniciado mediante requerimento ao tribunal para a emissão de uma ordem de administração ou mediante a apresentação de documentos ao tribunal que comprovem a nomeação extrajudicial de um administrador.

ACORDO VOLUNTÁRIO DA EMPRESA (CVA)

O CVA é um acordo informal, mas vinculativo, entre uma empresa e seus credores sem garantia, no qual as dívidas da empresa são renegociadas. Ele pode ser utilizado para evitar ou apoiar outros procedimentos de insolvência, como a administração ou a liquidação. Prevê um plano de reestruturação que impõe o apoio dos credores dissidentes.

ESQUEMA DE ACORDO DOS CREDORES

O Esquema de Acordo dos Credores é um compromisso ou acordo aprovado pelo tribunal, entre uma empresa devedora e todas as classes de seus credores, para a reorganização ou reescalonamento de suas dívidas. Não se trata de um procedimento de insolvência e não inclui uma moratória sobre as ações dos credores. Pode, no entanto, ser implementado em conjunto com processos formais de insolvência (administração judicial ou liquidação). Também pode ser implementado de forma autônoma pela própria empresa devedora.

ADMINISTRAÇÃO JUDICIAL

Existem três tipos de administradores judiciais. O primeiro deles é um administrador judicial nomeado com poderes legais. O segundo tipo de administrador judicial é aquele nomeado nos termos de uma garantia real fixa ou de um contrato de fideicomisso. A terceira categoria é a do administrador (que é nomeado nos termos de uma garantia real flutuante sobre a totalidade ou uma parte substancial dos bens da empresa devedora).

LIQUIDAÇÃO

Uma empresa pode entrar em liquidação voluntária ou compulsória. As liquidações voluntárias podem ser uma “liquidação voluntária pelos sócios” ou uma “liquidação voluntária pelos credores”. Ambos os processos são iniciados pela própria empresa, por meio da aprovação de uma resolução durante uma assembleia de sócios. A empresa então cessa suas atividades comerciais e um liquidatário recolhe os ativos da empresa e distribui os rendimentos aos credores, de modo a saldar, na medida do possível, as obrigações da empresa.

Última atualização: março de 2025