Crescimento sólido se estendendo até 2025
A economia sérvia deverá manter um crescimento robusto em 2025, impulsionado pela forte demanda interna e por um ambiente de investimento mais favorável. O consumo das famílias (66% do PIB) se beneficiará do aumento dos salários reais, apoiado por aumentos nos salários e nas aposentadorias. As empresas voltarão a se beneficiar de políticas públicas expansionistas, incluindo maiores gastos com infraestrutura e incentivos ao investimento para investidores estrangeiros. No entanto, espera-se que a inflação permaneça no limite superior da meta estabelecida pelo Banco Nacional da Sérvia (4,5%), levando o banco central a manter altas taxas de juros, o que poderá frear o crescimento do crédito tanto para as empresas quanto para as famílias.
Ao mesmo tempo, a economia sérvia continua a atrair capital estrangeiro significativo, particularmente nos setores manufatureiro e de energia, fortalecendo ainda mais sua capacidade produtiva. O desenvolvimento de projetos de infraestrutura, impulsionado em parte pela iniciativa governamental “Salto para o Futuro – Serbia Expo 2027”, deverá modernizar o transporte e aumentar a eficiência logística. Enquanto isso, a expansão da capacidade de produção de energia, especialmente por meio de investimentos em energia renovável, visa corrigir deficiências estruturais no setor e garantir um fornecimento de eletricidade mais estável para as empresas.
O mercado de trabalho continuará sendo um grande desafio. A Sérvia registrou uma taxa de desemprego de 8,6% no final de 2024, o que ainda é motivo de preocupação, apesar dos esforços de recuperação. Espera-se que o crescimento no setor manufatureiro, especialmente na indústria automotiva, juntamente com a expansão no setor de serviços, impulsione a criação de empregos e contribua para uma redução gradual do desemprego em 2025. A capacitação da força de trabalho por meio de programas de treinamento adaptados às necessidades das empresas também poderia ajudar a conter a migração de talentos para o exterior e apoiar o crescimento da produtividade. No entanto, a necessidade de melhorar o clima de negócios e acelerar as reformas estruturais continua sendo um desafio fundamental para garantir uma expansão sustentável.
Finanças públicas sob pressão
O orçamento permanecerá deficitário em 2025, impulsionado por um aumento acentuado nas despesas (salários do setor público, infraestrutura e defesa) e pelos altos custos de financiamento. O aumento de 8% nos salários do setor público em 2025, juntamente com os investimentos na Serbia Expo 2027, aumentará a carga financeira do Estado. Além disso, a aquisição de 12 caças Rafale (no valor de 2,5 bilhões de euros) e a reintrodução do serviço militar obrigatório em 2025 exercerão ainda mais pressão sobre o orçamento. Para atender a essas necessidades de financiamento, o governo conta com os mercados de títulos internacionais e domésticos, bem como com empréstimos para projetos concedidos por seus parceiros. A dívida pública, estimada em 47% do PIB em 2024, permanece em um nível moderado, e espera-se que sua participação no PIB continue diminuindo. No entanto, aproximadamente 70% da dívida é externa e denominada em moedas estrangeiras (principalmente o euro), o que aumenta o risco cambial. No entanto, a indexação firme do dinar ao euro e a participação significativa de credores oficiais (55%) ajudam a mitigar o risco.
No plano externo, o saldo da balança corrente permanecerá deficitário em 2025, impulsionado pelas elevadas importações decorrentes da forte demanda do consumidor, dos projetos de infraestrutura e das aquisições de equipamentos militares. Ao mesmo tempo, o fraco crescimento econômico na União Europeia limitará o crescimento das exportações, particularmente nos setores agroalimentar, automotivo, metalúrgico, de equipamentos elétricos e de plásticos. No entanto, os serviços — notadamente turismo, serviços de TI e transporte rodoviário —, juntamente com as remessas da diáspora, compensarão parcialmente o déficit comercial. O déficit em conta corrente será financiado em grande parte pelo investimento estrangeiro direto (IED) e pelos influxos de portfólio, o que também ajudará a aumentar as reservas cambiais.
Envolvida em grande turbulência política
O cenário político sérvio é dominado pelo Partido Progressista Sérvio (SNS), de orientação nacionalista-conservadora – no poder desde 2012 e liderado pelo presidente Aleksandar Vucic. O SNS fortaleceu ainda mais sua posição após vencer as eleições antecipadas em dezembro de 2023 com 48,1% dos votos (129 das 250 cadeiras no Parlamento). O partido enfrenta uma oposição política fragmentada que critica o partido no poder e o presidente por seu controle rígido sobre as instituições e a mídia. Vucic tem se beneficiado, até o momento, de uma oposição fraca e de forte apoio popular, impulsionado pelo sólido crescimento econômico e pelo sentimento nacionalista. No entanto, o domínio do SNS suscita preocupações quanto à separação de poderes, ao pluralismo da mídia e ao combate à corrupção. No cenário político interno, o Executivo detém poder significativo: a presidência, o governo e o Parlamento podem estar formalmente separados, mas às vezes carecem de verdadeiros freios e contrapesos institucionais. Observadores internacionais (OSCE, UE) relataram irregularidades em várias eleições, e protestos recorrentes ressaltam o crescente descontentamento na sociedade civil.
Desde o final de 2024, a Sérvia vem enfrentando a crise política mais grave do Partido Progressista Sérvio (SNS) desde que este chegou ao poder. O desabamento da cobertura da estação ferroviária de Novi Sad, recém-reformada, em novembro de 2024, que causou a morte de 15 pessoas, desencadeou protestos em grande escala denunciando a corrupção e a falta de transparência nas licitações públicas. Sob pressão crescente, o primeiro-ministro Milos Vucevic renunciou em 28 de janeiro de 2025, mergulhando o governo na incerteza. A desconfiança da população continua alta, apesar das tentativas do presidente Vučić de amenizar as tensões por meio da divulgação de documentos, da responsabilização de autoridades e da concessão de indultos a alguns manifestantes detidos. Se um novo governo não for formado rapidamente, será necessário convocar eleições antecipadas, com as eleições parlamentares provavelmente ocorrendo na primavera de 2025. Os líderes do SNS apostam em uma oposição dividida — composta principalmente por jovens e concentrada nas grandes cidades — para manter o poder, mesmo correndo o risco de perder sua maioria parlamentar. No âmbito social, a Sérvia continua a enfrentar altos índices de desemprego, corrupção persistente e fuga de cérebros, especialmente entre jovens profissionais. Apesar do forte crescimento econômico, a desigualdade está alimentando a frustração e desencadeando movimentos de protesto, levando o governo a prometer reformas para manter a estabilidade interna.
A Sérvia adota uma abordagem multipolar, mantendo o diálogo com a UE, os EUA, a Rússia e a China e, ao mesmo tempo, continuando seu caminho rumo à adesão à UE. A questão do Kosovo continua sendo um grande obstáculo, assim como as preocupações com a pressão ocidental para o reconhecimento formal de sua independência. A NIS, a maior empresa de petróleo e gás do país, de propriedade majoritária da Gazprom Neft e da Gazprom, tem sido alvo de sanções dos EUA contra o setor energético russo desde janeiro de 2025. Embora essas sanções tenham sido suspensas até 28 de março de 2025 para permitir que ocorra a reestruturação acionária, elas destacam a delicada posição da Sérvia — equilibrando seus laços energéticos com Moscou, contra a qual não impõe sanções, e sua tentativa de buscar laços mais estreitos com a UE.

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