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2016/18/08
Risco País e Estudos Económicos

Empresas têm acionado mais o seguro de crédito.

Marcele Lemos - Coface

A situação macroeconômica doméstica ainda instável continua a puxar o aumento na sinistralidade no seguro de crédito neste ano, em um ambiente de piora generalizada que, na avaliação das seguradoras, apenas deve ser revertido a partir da segunda metade de 2017.

Com menor peso nas carteiras de seguro, as operações relacionadas a exportações viram um aumento ainda maior nas ocorrências, embora tenham se concentrado em casos pontuais.

 

Segundo levantamento feito pela seguradora Coface com base em números disponibilizados pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), o crescimento no volume de sinistros de janeiro a junho foi de 63,1% na comparação com o mesmo período do ano passado. Mais importantes, os contratos de operações locais viram um aumento de 47,6% na sinistralidade, enquanto os contratos de exportação apresentaram um salto de 359,2%. Porém, no geral, a carteira das companhias está balanceada atualmente com 70% de mercado local e 30% de exportação.

 

Em transações comerciais feitas entre duas empresas, tanto no mercado local quanto na exportação, o seguro de crédito é contratado pela vendedora dos produtos para garantir o recebimento do pagamento. No caso do atraso ou do calote, o seguro é acionado para preservar o fluxo de caixa da companhia vendedora, o que eleva a sinistralidade da indústria. Mesmo com a função de proteger as empresas de calotes de clientes, a utilização dessa ferramenta ainda é pequena.

 

Segundo a Coface, a indústria do seguro de crédito tem apenas R$ 250 milhões em prêmios e no Brasil cerca de 600 companhias buscam essa opção, sendo a maior parte multinacionais que acabam seguindo o padrão das matrizes internacionais.

O uso da ferramenta é feito em toda a cadeia produtiva, desde companhias grandes até chegar às pequenas, e os números podem apontar movimentos de inadimplência fora do sistema bancário. O cenário de aumento na incidência de calores tem levado as seguradoras a recompor as taxas de prêmios para os setores mais afetados.

De acordo com Marcele Lemos, presidente da Coface no Brasil, o aumento da sinistralidade é resultado tanto da piora da situação macroeconômica local quanto de alguns casos em operações externas em meio à iniciativa das companhias de aumentarem participação nas exportações. "O aumento da sinistralidade no seguro de crédito voltado a operações do mercado interno é fruto da situação econômica brasileira, que está instável. Nas transações de exportação o número é maior e assusta, mas a representatividade dessas operações é menor e o aumento foi puxado por alguns casos", diz a executiva, sem abrir quais foram os casos mais relevantes.

 

Na avaliação de Cristina Salazar, presidente da seguradora Cesce Brasil, o aumento da sinistralidade é geral, não afeta um setor específico. A executiva explica que, quando a indústria se retrai, as pessoas reduzem o consumo e as empresas não têm como se manter, o primeiro passo é renegociar com fornecedores, para alongar prazos e atrasar compromissos ­ o que dispara o seguro de crédito. "Mesmo que a seguradora venha a recuperar, a função dela é manter o fluxo de caixa da companhia. Ela paga a indenização e vai atrás do pagamento", afirma. Após o aviso de sinistro, a seguradora vai atrás da empresa que deu o calote para tentar recuperar os créditos inadimplentes. Segundo Cristina, da Cesce, antes da crise a recuperação era de 40% a 50% do valor segurado e agora está entre 20% e 30%. Além disso, o processo de recuperação está mais demorado. A presidente da Cesce destaca que, entre os principais setores, o de siderurgia é um dos que apresentaram maior acionamento de apólices. O segmento vende aço para indústrias, como a de máquinas, bens de consumo e automobilística, e vem sofrendo há meses com as dificuldades desses clientes.

 

A executiva também chama a atenção para o aumento do número de recuperações judiciais no país, que se reflete no seguro de crédito. Um dos casos de maior repercussão é o da operadora de telefonia Oi, que tem impacto direto no setor de seguros e indireto por meio dos efeitos na cadeia de fornecedores. A expectativa é que o caso siga o movimento visto com a Petrobras quando foi deflagrada a operação Lava­Jato, que impactou toda a cadeia de petróleo brasileira. " Oi é um dos casos que ainda não estão refletidos nas estatísticas do seguro de crédito", diz Cristina.

 

Em meio à piora no cenário, as seguradoras vêm desde o ano passado reduzindo o risco de suas carteiras, com forte movimento de reanálise dos limites de crédito das empresas. Os efeitos, no entanto, aparecem após seis a sete meses, uma vez que as transações comerciais são normalmente feitas com 180 dias de antecedência e o seguro é emitido na mesma ocasião. Esse é um dos motivos que levam as instituições a esperar melhora na sinistralidade apenas entre a segunda metade de 2017 e 2018.

 

A conjuntura atual, no entanto, não afeta apenas negativamente o segmento. De acordo com as seguradoras, com o ambiente de mais incertezas sobre o cumprimento dos contratos, as companhias buscam se blindar mais com o seguro de crédito. No primeiro semestre, os prêmios cresceram 13,9% na comparação com 2015, com avanço de 14% nas transações domésticas e de 13,5% em exportação. Além disso, o movimento observado recentemente das empresas aumentando o peso da exportação nas suas receitas também contribui para o crescimento da contratação do seguro.

 

"Percebemos a mudança de percepção de risco dos executivos, que têm buscado ferramentas para se proteger. Algumas empresas que não tinham proteção sofreram com inadimplência e pensaram em como continuar com a economia extremamente conturbada sem ter risco de perda. Vimos o aumento da demanda seguro de crédito", diz Marcele, da Coface.

 

Por: Daniela Meibak / São Paulo
Foto: Vitor Salgado
Fonte: Valor Econômico - http://www.valor.com.br/financas/4676181/empresas-tem-acionado-mais-o-seguro-de-credito
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